
(Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais – Unileste) – Egresso do Unileste, Pedro Abílio representa nova geração do jornalismo esportivo mineiro. O jornalismo esportivo brasileiro sempre teve vozes marcantes, presença forte no ar e nomes que criam identificação imediata com o público. Contudo, com o boom das plataformas de comunicação e a velocidade da informação, uma nova geração vem conquistando espaço graças à capacidade de adaptação.
É nesse cenário que se destaca Pedro Abílio. Natural de Itabira, formado em Jornalismo pelo Unileste, ele foi escalado pela Rádio Itatiaia para cobrir a Copa do Mundo de 2026. Sua trajetória consistente, entre rádio, reportagem, produção e ambiente digital, representa o perfil do jornalista versátil, atento às transformações e forjado na prática cotidiana.
Antes do Mundial, vieram os anos de rádio no interior de Minas, transmissões improvisadas, acúmulo de funções e a rotina intensa de quem aprendeu cedo que, no jornalismo, talento não caminha sozinho.
Pedro começou na comunicação ainda adolescente, em 2012, na Rádio Itabira. O plano inicial era narrar futebol. A graduação veio depois, quase como estratégia de permanência e crescimento num mercado historicamente instável. Foi então que ele se mudou para o Vale do Aço. “Ser narrador esportivo não exige diploma necessariamente. Mas percebi que a faculdade poderia me posicionar melhor. E fez diferença”, afirma.
O curso ampliou seu repertório técnico e, sobretudo, sua visão de mercado. Foi ali que ele começou a entender que o futuro da profissão exigiria profissionais menos reféns de uma única função e mais preparados para transitar entre formatos, linguagens e canais. “Durante a faculdade, comecei a enxergar possibilidades maiores. Passei a experimentar vídeo, fotografia, produção, outras formas de comunicação. Isso me tornou mais completo.”
A percepção se mostraria estratégica anos depois.
A geração que precisou aprender tudo ao mesmo tempo
Enquanto parte do mercado ainda tentava entender os impactos da transformação digital, profissionais da geração de Pedro Abílio já atuavam numa lógica completamente multiplataforma. Narrar, apurar, editar, produzir, apresentar, criar conteúdo para redes sociais e adaptar a linguagem a diferentes formatos deixaram de ser habilidades complementares e tornaram-se exigências básicas.
Após concluir a graduação, Pedro deixou o Vale do Aço rumo a Belo Horizonte em busca de espaço num mercado mais competitivo. Durante seis anos, trabalhou no O Tempo e na Rádio Super. “Fui narrador, repórter, produtor, apresentador, youtuber e muitas outras coisas ao mesmo tempo”, resume.
A experiência ajuda a explicar não só sua consolidação no jornalismo esportivo, mas também sua capacidade de adaptação a um setor que mudou radicalmente. Para Pedro, a internet transformou não apenas o ritmo da cobertura, mas a relação entre informação, audiência e credibilidade. “Hoje o jornalista divide espaço com influenciadores e criadores de conteúdo que, muitas vezes, têm mais compromisso com a paixão clubística do que com a informação.”
Ainda assim, ele evita discursos nostálgicos sobre o rádio tradicional. Na visão do jornalista, a reinvenção deixou de ser uma escolha há tempos. “Não dá mais para pensar só no dial. O rádio precisou aprender a existir dentro da dinâmica da internet.”
O aprendizado que não aparece no currículo
Há uma romantização histórica em torno do jornalismo esportivo brasileiro, especialmente para quem trabalha perto do futebol. Mas Pedro fala da profissão de forma pragmática.
Ao longo da conversa, menciona repetidas vezes adaptação e sobrevivência profissional. Outro aspecto raramente discutido com honestidade, segundo ele, é o impacto da profissão na vida pessoal. “Ninguém me contou que ser jornalista exige abrir mão de muitos finais de semana, aniversários e feriados.” Ainda assim, nunca cogitou abandonar a carreira. “Depois da formatura, tive dificuldade para sair do interior e buscar espaços maiores. Mas desistir nunca foi opção.”
Da cobertura regional ao maior palco do futebol
Pedro começou a carreira num período simbólico para o esporte mineiro. Em 2012, acompanhou a chegada de Ronaldinho Gaúcho ao Atlético Mineiro, a conquista da Libertadores pelo clube, os títulos nacionais do Cruzeiro e a histórica final da Copa do Brasil entre os rivais, em 2014. Depois vieram coberturas internacionais, como finais continentais e mundiais de vôlei. “Gosto de dizer que estive no lugar certo, na hora certa, muitas vezes.”
A ida para a Itatiaia aconteceu após anos de circulação no mercado esportivo mineiro e construção gradual de networking. “No ano passado, depois de um tempo de conversa, a Itatiaia me chamou para integrar a equipe.”
Já a convocação para a Copa do Mundo veio acompanhada de surpresa – inclusive para ele. “Sou um dos mais jovens da equipe e tenho pouco tempo de casa. Recebi a notícia com muita alegria e com a sensação de estar colhendo os frutos da dedicação que sempre tive ao trabalho.”
Pedro espera que a experiência amplie sua percepção sobre o futebol como fenômeno cultural. “Quero viver essa mistura de culturas, acompanhar grandes histórias e traduzir isso para o público.”
O que fica no caminho
Sem alarde, sem clickbait, num mercado que cada vez mais confunde visibilidade com relevância, Pedro Abílio prefere o caminho oposto. E quando a conversa chega ao conselho que deixaria para si mesmo no começo da jornada, a resposta vem carregada de honestidade.
“Por favor, tente dormir mais.”

Fonte: Unileste
